Uma das principais descobertas sobre a influência da música na mente e no corpo humano ocorreu devido a paixão de um médico vietnamita: a patinação. O Dr. Minh Dung Nghiem trabalhava como médico em Paris e ensinava patinação durante suas folgas. Ao passar dos anos, ele percebeu que o equilíbrio das pessoas ia piorando. A cada nova geração diminuía o número de pessoas que tinham um bom domínio sobre o próprio corpo. Intrigado com isso, Minh decidiu fazer um estudo científico para entender o que estava acontecendo. Após anos de pesquisa, o médico chegou a uma conclusão que pode ser essencial na educação dos filhos e netos de todas as famílias. Os pais e avós podem ensinar valores e bons hábitos para os filhos, mas as músicas e outros conteúdos ruins consumidos por um jovem podem destruir uma vida. A decadência da música e suas consequências Desde a Antiguidade, os filósofos entendiam que a música é essencial para a formação da personalidade. Para Platão, a música seria capaz de atingir mais profundamente a alma de um cidadão, podendo moldá-la para o bem ou para o mal. O uso correto da educação musical iria abrandar os irascíveis e afastar os maus vícios, assim como atrairia as boas virtudes, coragem, ordem à alma e até mesmo justiça. Porém, muitos artistas da Idade Contemporânea deixaram de lado a busca pela virtude na arte musical. Após estudar 532 artistas nacionais, o pernambucano Leonardo Sales descobriu que a música brasileira alcançou um nível recorde de empobrecimento. Os acordes e as letras na música brasileira nunca foram tão baixos. Três problemas das músicas modernas O estudo de Leonardo Sales e do Dr. Minh mostram 3 elementos das músicas modernas que podem destruir a mente de um jovem: ritmos sensuais; letras ruins; falta de harmonia. Ritmos sensuais Em suas pesquisas, o Dr Minh lidou com crianças e jovens constantemente envolvidos com músicas extremamente emotivas, sensuais e ritmadas. Concomitantemente, esses mesmos jovens tinham dificuldade de dançar dentro de um compasso e também tinham dificuldades na escola. A vida deles estava tão desordenada quanto a falta de compasso na dança. Não eram as letras ou as imagens apresentadas em vídeos musicais que causavam todos esses efeitos, apenas o ritmo era capaz de causar os malefícios. Além do ritmo, muitas dessas músicas estão atreladas a outro problema moderno: as letras ruins. Letras ruins Analisando a quantidade de palavras únicas, o vocabulário próprio com palavras distintas, o pesquisador Leonardo Sales encontrou 5 grupos de temas musicais no Brasil: 1- Paixões bem sucedidas, retratando os relacionamentos nas melhores fases; 2- Paixões desastrosas, retratando amores mal sucedidos; 3- Engajamento social, onde há crítica social e a temática de paisagem urbana; 4- Mundo gospel, com foco na espiritualidade; 5- Paisagens do sul. A pesquisa ressalta a simplificação das letras e a predominância da temática sensual. A arte da escrita literária existe para dizer aquilo que os simples fatos não conseguem dizer. Quando se descreve uma situação, pode-se perceber muito mais coisas enunciadas sem nem estarem escritas, porque subjazem nas entrelinhas. É possível escrever livros inteiros para explicar, por exemplo, três versos da Divina Comédia, de Dante. Em relação às composições atuais, o que há por trás das emoções primárias, literais e diretas das músicas? Além da pobreza literária, muitas músicas modernas apresentam outra pobreza: falta de harmonia. Falta de harmonia Muitos especialistas não consideram estilos modernos como música, já que esses sons não possuem harmonia. É o caso do funk do Brasil. Outros estilos, como certas músicas pop, podem apresentar harmonias pobres e quase inexistentes. A falta ou pobreza de harmonia podem fazer com que a psicologia de quem escuta seja afetada. Platão considerava a música como fundamental para a educação e formação da alma, em ordem a desenvolver o senso de harmonia; ela gera uma espécie de concordância, coerência ou integridade da alma com o mundo, com a vida.